Eu e minhas amigas temos alguns drinks oficiais.
Alguns surgem sem querer. Outros são escolhidos depois de muita pesquisa de campo, feita com enorme comprometimento científico em bares, restaurantes e qualquer lugar que tivesse um cardápio minimamente interessante.
O Aperol Spritz foi um deles.
Durante anos, pedimos Aperol em praticamente toda ocasião possível. Testamos versões boas, ruins e algumas que provavelmente desrespeitavam convenções internacionais sobre o assunto.
Por isso, quando embarquei para a Itália, na minha primeira viagem internacional com a minha mãe, tinha um plano muito claro: beber muito vinho e muito Aperol.
Mas a vida tinha outros planos.
E colocou limões no meu caminho. Limões sicilianos. E daqueles que parecem ter sido cultivados por alguém que claramente gosta mais de limões do que eu jamais gostei.
Em poucos dias descobri o Limoncello. Depois descobri o Limoncello Spritz.
E então descobri que talvez uma das melhores partes de viajar seja justamente essa: perceber que nem sempre aquilo que procuramos é o que mais vai nos encantar.
Às vezes chegamos a um lugar cheios de certezas e com roteiro apertado de tantas dicas salvas do tiktok. Sabemos o que queremos comer. O que queremos beber. O que queremos conhecer. Mas as melhores histórias (quase) sempre acontecem quando algo sai do roteiro.
Descobri que Spritz vem do alemão. Foram soldados austríacos que começaram a adicionar água aos vinhos da região para deixá-los mais leves e refrescantes.
Não sou a favor de guerras, jamais. Mas já que aconteceu, e já que alguém teve essa ideia, vamos seguir aproveitando o ensinamento d Spritz.
No final das contas, foram dezesseis dias na Itália.
Poucos vinhos. Alguns Aperóis. E muito Limoncello.
Às vezes viajamos atrás daquilo que já conhecemos e encontramos algo melhor justamente porque estávamos dispostos a nos deixar surpreender.
Talvez seja assim com os drinks, com as viagens e talvez seja assim com a vida.
Ah, e tá tudo bem não querer experimentar o novo sempre, afinal, a minha massa à carbonara foi meu prato oficial, de sempre, pra sempre. E tá tudo bem também.
__por Priscila D. Dal Lago

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