O melhor vinho do mundo foi feito de uvas ‘’comuns’’, conhecidas como variedades americanas. Vinho de mesa. Não tinha uma variedade de uva, tinha muitas, mas cachos selecionados.
O melhor vinho do mundo foi fermentado sem leveduras selecionadas, e sem saber o brix exato da uva.
O melhor vinho do mundo não foi nem todo engarrafado, a maior parte dele era consumido direto da pipa de vinho.
O melhor vinho do mundo viveu tempo suficiente para deixar de ser vinho e virar vinagre.
O melhor vinho do mundo nunca teve conservante adicionado, e talvez com sorte um teor alcóolico de 8% vol.
O melhor vinho do mundo eu nunca provei, porque eu era criança, mas eu sei que era o melhor porque tenho até hoje ele na minha memória.
O melhor vinho do mundo era feito comigo e meu sobrinho podendo pisar nas uvas, e eu lembro de cada picada de mosquito, afinal no ápice do verão pisando em uvas doces, não podíamos esperar nada diferente.
E o melhor era o pós, lavar a caixa d’água onde o vinho tinha sido feito, meus pais me deixavam ‘’nadar’’ nela, era uma dessas de plástico. Eu não tava lá pra nadar, o segredo era lavar, mas eu ficava a tarde toda brincando.
O melhor vinho do mundo é o que eu tenho certeza de que hoje eu provavelmente não gostaria, mas ele é o melhor. Mesmo que eu tenha aprendido que não existe ‘’vinho melhor’’, mas esse sim, ano após ano, eu tenho certeza de que é o melhor, afinal me fez feliz muitas vezes e eu nem precisei provar.
Anos depois, na minha primeira aula de enologia lembro de pedir pro meu professor qual era o melhor vinho do mundo, e ele me respondeu ‘’o que a pessoa gosta de beber’’.

Bom, o meu favorito foi tão especial que nem precisei provar para saber disso.

__por Priscila D. Dal lago

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