Terroir é algo exclusivo do vinho, ou toda tradição construída por um povo também carregue um pouco dele?
No mundo do vinho, poucas palavras carregam tanto significado quanto terroir. Costumamos resumir o conceito da união entre solo, clima e o saber fazer. É desse trio que nasce a identidade de um vinho.
A uva pode ser a mesma. Mesmo assim, quando muda de lugar, muda também suas nuances. Se adapta ao clima, responde ao solo, aprende novos ritmos. O resultado nunca é igual. Cada vinho conta uma história diferente, sempre, todas as vezes.
Entre todos os elementos do terroir, o que mais me fascina sempre foi o ‘’saber fazer’’. Porque ele me lembra que, mesmo sob o mesmo céu e no mesmo pedaço de terra, as escolhas de quem cultiva fazem toda a diferença. Existe técnica, existe tradição, mas existe também evolução.
O saber fazer é a parte mais humana do terroir. É a busca constante por fazer hoje um pouco melhor do que ontem. Não para superar os outros, nem para competir com quem veio antes, mas para evoluir continuamente.
Essa ideia é muito presente no vinho. Também em tantos alimentos que carregam a identidade de um lugar.
Mas será que não vale também para o futebol?
Todas as seleções jogam o mesmo esporte. As regras são as mesmas, a bola é a mesma, o campo tem as mesmas dimensões. Ainda assim, cada uma joga de um jeito que só ela sabe.
Talvez porque cada seleção também tenha o seu próprio terroir.
O clima do país, a cultura, a relação das crianças com a bola, a forma de treinar, a história construída ao longo das décadas, o peso das conquistas ou a vontade de conquistar pela primeira vez. Tudo isso molda uma equipe, assim como molda um vinho.
Cada seleção oferece uma experiência diferente. E cada torcedor encontra motivos diferentes para admirar, torcer e se emocionar.
No fim das contas, talvez seja por isso que gostamos tanto de vinho e de futebol. Porque ambos falam de identidade. De origem. De pessoas.
E, coincidência ou não, quando pensamos no Brasil, é difícil não associar nossa seleção e nossos vinhos aos momentos de celebração.
Os dois merecem sempre um brinde. E, claro, a nossa torcida. Sempre!
__por Priscila D. Dal Lago

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