Eu acho curioso que poderíamos beber de qualquer forma, mas quando estamos felizes ou muito tristes, simplesmente brindamos.

Pode com vinho, cerveja ou até coca-cola. Brindar não muda o gosto, não melhora a bebida, não tem aparentemente nenhuma utilidade prática. Mesmo assim, antes do primeiro gole, nos damos ao trabalho de parar tudo por alguns segundos e brindar. Talvez o brinde exista justamente para isso: criar uma pequena pausa consciente.

O surgimento do ato de brindar tem muitas teorias, desde as felizes, até as mais estranhas, que vão desde celebrar até misturar veneno… Mas sinceramente, hoje vou pedir licença para deixar a história ou as teorias de lado.

Afinal, acho brindar bonito.

A gente brinda casamento e aniversário, grandes momentos da vida, e também brindamos porque é sexta-feira. Brindamos o negócio que deu certo e o que deu errado. Brindamos por quem chegou e por quem está indo embora. Às vezes até levanta a taça para alguém que já não está mais na mesa.

Na vida moderna onde excluímos quase todos os rituais que não nos geram retorno ou audiência, em que tiramos da rotina quase tudo que fazemos só porque queremos e gostamos, o brinde ainda ficou. Ele resistiu.


Pode ser porque brindar seja justamente o contrário disso tudo. É um gesto aparentemente inútil. Não produz nada, não resolve nada, não melhora nada. Só faz a gente parar.

Por alguns segundos, olhamos para quem está à nossa volta, levantamos nossas taças e decidimos que aquele instante merece ser marcado.

O brinde é uma tentativa de transformar um instante em memória, de exaltar e de compartilhar. Não se pode brindar sozinho, e nunca vi ninguém negar um brinde.

Então queria propor um brinde, a nós que ainda brindamos e seguiremos brindando.

_por Priscila D. Dal Lago

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Pega tua taça, e boa leitura!