Sempre tem alguém que gosta de vinho branco com gelo. Também sempre tem um amigo que só bebe tinto depois dele ficar horas no decanter. Provavelmente tu conhece alguém que adora vinho natural. E a gente sempre conhece alguém que nem de vinho gosta.

Tem gente procurando na taça mineralidade, acidez e o dia exato que a uva foi colhida. Tem gente também procurando alguma coisa que fique bom para acompanhar a pizza do ifood.

Bom, o mundo do vinho conseguiu criar hierarquias e regras até para o prazer, como se existissem formas mais sofisticadas de gostar.

Por exemplo, gostar de Borgonha vale mais pontos do que gostar de Malbec argentino frutado. Mas será que nosso paladar é um currículo?

Claro que ele muda. Quanto mais provamos, mais referências vamos adquirindo. Aquilo que a gente amava dez anos atrás hoje pode parecer simples. E aquilo que antes parecia estranho pode se tornar fascinante.

Isso não significa que nosso gosto ficou certo, porque ele nunca foi errado. Ele sempre foi nosso, e ele vai ficando apenas ainda mais nosso.

Acredito que aprender sobre vinho não é a uma caminhada em direção ao gosto certo. Talvez seja justamente uma caminhada para entender qual é o nosso gosto.

No fim das contas, existe uma diferença enorme entre aprender a gostar de vinho e aprender de qual vinho a gente deveria gostar. Vai por mim, a segunda é uma péssima ideia, tá?

__por Priscila D. Dal Lago

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