Outro dia tomei um dos meus vinhos favoritos, e descobri que ele não é mais, na verdade eu nem gostei dele dessa vez.
Alguns anos atrás, quando provei pela primeira vez, ainda lembro da sensação de descobrir algo novo. Naquele momento, decidi: esse é o meu vinho favorito da vida.
Sempre gostei de experimentar tudo o que estivesse ao meu alcance no mundo do vinho. E, olhando para trás, percebo com clareza os momentos em que alguns “favoritos” foram deixando de ser.
Isso sempre me lembra da minha mãe.
Ela dizia que gostava de tudo, porque tudo era vinho. Hoje, ela já não gosta de tudo, mas gosta de mais coisas do que antes. Parece contraditório e confuso, mas juro que não é.
Às vezes, a gente gosta muito de algo justamente porque não se permite conhecer outras coisas. Não se permite experimentar, variar, sair do que já nos é familiar.
Será que precisamos beber o mesmo vinho, da mesma forma, com a mesma comida, sempre?
Não. Mas é curioso como a gente se acostuma, e acaba tornando os pequenos momentos para sair da rotina em… rotina.
Existem fases na vida em que queremos ter certeza de tudo.
E, para isso, sentimos a necessidade de nomear, definir e defender com intensidade: eu gosto desse vinho, ele é o meu favorito, eu amo tudo nele.
Com o tempo, alguma coisa muda.
A gente aprende a se permitir sentir mais do que afirmar. A simplesmente degustar sem precisar decidir tão rápido.
Percebe que, para amar, não precisa ser sempre perfeito, muito menos ser sempre o melhor. (Melhor pra quem? No que?)
Nós mudamos. A taça muda. O ambiente muda.
E talvez o único esforço necessário seja estar disposto, não a gostar, mas a entender.
Talvez por isso alguns vinhos deixem de fazer sentido. Já outros, que antes passariam despercebidos, começam a nos marcar, e não porque eles mudaram, mas porque agora somos capazes de encontrar neles
coisas que antes não éramos.
A gente não precisa gostar dos mesmos vinhos de antes, e tá tudo bem. Mas precisamos lembrar que foram eles que nos trouxeram ao paladar de hoje.
E isso não é só sobre vinho 😉
__por Priscila D. Dal Lago

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