Quando somos crianças, parece que aniversários vem carregados de expectativa. É quase como se cada ano novo precisasse trazer alguma resposta, alguma conquista, alguma versão melhor de nós mesmos. Quase um desafio ou promessa de ano novo.

Mas, com o tempo, essa sensação muda.

Os aniversários começam a parecer menos uma cobrança e mais uma reflexão. Um respiro no meio da rotina que nos relembra que o tempo também passa pra gente. Um momento pra olhar em volta e pra dentro também.

Esse ano, assim como todos, no meu aniversário revi pessoas que amo, conversei com os que tenho saudade de abraçar presencialmente, e me permiti beber como se ainda fosse bem mais jovem, e a ressaca me lembrou que já não sou mais.

E, pensando nisso depois, me veio uma comparação meio inevitável: a gente também vive em ciclos, como as videiras. E nem todo momento é de colheita. Na verdade, a menor parte do tempo é.

Tem a poda, quando a vida pede cortes, mudanças, desapegos. Tem a dormência, quando parece que nada está acontecendo (mas está). E tem aqueles momentos em que, sem muito alarde, as coisas simplesmente florescem.

A gente costuma valorizar só a safra. O resultado. O que dá pra mostrar pros outros. Mas talvez o mais importante esteja no processo inteiro.

Esse último ano teve um pouco de tudo. E, olhando agora, faz sentido que tenha sido assim. Porque o que eu celebrei nesse aniversário não as promessas do ciclo que começa, mas sim as do ano que foi vivido.

Como uma taça de vinho que não precisa ser extraordinária pra ser especial. Às vezes, ela só precisa estar na mesa certa, com as pessoas certas. E acho que foi exatamente isso.

Se tem algo que eu levo para esse novo ciclo, é menos pressa. E mais confiança de que cada fase tem seu tempo.

No fim, talvez aniversários não sejam sobre mudar tudo. Mas sobre perceber o que já mudou. Ah, e brindar a isso, né?

__por Priscila D. Dal Lago

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