O consumo de espumantes no Brasil mudou de ritmo, de lugar e de sentido nas últimas décadas. E, no centro dessa mudança profunda, estão as mulheres. Elas já ocupavam um lugar importante no mercado. A maior parte dos compradores de vinhos e espumantes é feminina, seja no supermercado, em lojas especializadas ou online. Agora, além de consumir, elas estão mudando a forma de consumir.
As mulheres fazem parte de toda a cadeia dessa bebida que atravessa séculos, da vinícola ao campo, do serviço ao enoturismo. Mas aqui a conversa é sobre o consumo, esse pilar silencioso que sustenta e impulsiona todos os outros, ok?
Por muito tempo, o espumante esperou. Esperou datas marcadas, os grandes anúncios, e as festas que pediam roupa especial. Ele viveu distante do cotidiano, guardado quase como se o prazer precisasse de autorização formal.
E foram as mulheres, claro, que abriram garrafas fora de hora e mudaram o rumo da conversa. O espumante desceu do pedestal e ganhou lugar à mesa. Passou a acompanhar conversas, encontros, refeições leves, dias quentes e frios, e os brindes feitos a sós. As borbulhas foram apresentadas à vida real e descobriram os pequenos rituais que sustentam os dias comuns.
Esse gesto parece delicado, mas é poderoso. As mulheres ensinaram que brindar não exige grandes acontecimentos, e que o momento, por si só, já é um acontecimento. O espumante deixou de ser um luxo distante e passou a estar presente.
Com essa mudança de cenário, veio também uma mudança de postura. As mulheres querem saber o que bebem. Querem entender o método, a uva, o estilo, o terroir. Não para impressionar ninguém, mas para se conectarem. Conhecer é uma forma de pertencimento, de autonomia, de valorização e de autoconhecimento.
Ao aprender e compartilhar, elas constroem uma nova linguagem para o vinho. Muito mais acolhedora, menos técnica e mais humana. Uma linguagem que convida, aproxima e democratiza. O espumante deixou de intimidar.
Na taça, ele passa a se conectar com a comida, o ambiente, as pessoas e ao estado de espírito. Hoje, no Brasil, brindar com espumante é um gesto de carinho, com nós mesmos e com os outros.
E há um dado que ajuda a contar essa história. Quando falamos de vinhos tranquilos consumidos no Brasil, a maioria dos rótulos ainda é importado. Mas quando falamos de espumantes, a lógica se inverte. A maioria dos nossos brindes são feitos com espumantes brasileiros.
Que aquilo que é nosso possa ser, cada vez mais, escolhido, apreciado e compartilhado. Ah, e preferencialmente por todos 😉
__por Priscila D. Dal Lago

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