Ganhar um presente com o qual a gente se identifica talvez seja uma das melhores sensações que existem. É aquele instante macio em que o coração fica quentinho, como se alguém tivesse visto algo nosso que nem nós lembrávamos. E quando esse presente, além de ter a nossa cara, ainda é útil… bom, isso abraça o coração toda vez que usamos ele.

O Natal não sobre é presente, é sobre presença. Sobre amar, compartilhar, perceber. Eu nunca fui muito de gostar de ganhar coisas, mas sempre me encantei quando recebi algo que pensava “isso é tão eu”. É como um pequeno reconhecimento da alma, quase sempre inesperado. É ser visto.

E com a abertura oficial da temporada dos ‘’amigos secretos’’, começam as pequenas buscas pelos “pensei em ti” que fazem todo sentido. E, inevitavelmente, aparece alguém que gosta de vinho, para nossa sorte, pois são bons amigos, mas também os mais desafiadores.

Dar vinho não é exatamente simples. A dúvida vem: tinto, branco, espumante? Eu sou do time que acha que espumante é sempre uma resposta boa, quase universal. Mas o segredo, de verdade, não está na bebida. Está na pessoa.

Quando dou vinho, penso nela. Escolho o vinho que diz “Visitei essa vinícola e lembrei de ti”, “Comprei esse porque é inovador, tua cara”, “Esse é de um produtor familiar que achei que tu fosse gostar de descobrir”, “Lembrei do nosso jantar que tu pediu esse vinho”, “Esse é daquela vinícola que visitamos juntos”.

Vinho é isso: memória, movimento, detalhe. É escolher não só a garrafa, mas o gesto.

E, às vezes, o melhor presente não é o vinho, mas aquilo que transforma o momento de beber em pausa.

Eu amo taças. E nunca soube o quanto precisava de uma boa taça até ganhar uma. E ela é personalizada, resistente, feita na medida certa para combinar com todos os vinhos. Essa taça resolveu meu problema de perder taças, e de confundir elas! Claro, os marcadores de taça também têm seu charme, principalmente quando a mesa é cheia. Mas eu, como levemente preguiçosa, amo ter uma taça com meu nome.

Outra ideia fácil são os kits e sacos para garrafas. Um bom saquinho resistente, daqueles para duas garrafas, muda tudo. E os personalizados… tudo que é personalizado é melhor. Sempre rendem conversa. E nunca deixam de combinar com um bom vinho.

E tem o presente mais simples e subestimado do mundo: uma boa tampa para espumante. Isso muda vidas. Às vezes a pessoa abre a garrafa num domingo e quer guardar um pouco para a segunda-feira — e pronto, está resolvido. Uma tampa abre possibilidades: encontros, pausas, lembranças. Minha vida mudou quando encontrei uma que vedasse realmente bem.

Outro presente ideal, sempre, são saca-rolhas. Se for personalizado ainda melhor. E se a pessoa já tiver? Bom, eu tenho mais de 30, e eu poderia continuar ganhando sempre, pois sempre preciso de mais um. Um pra bolsa, um para o carro, um pro dia a dia…

Mas a minha dica de ouro continua sendo a mesma: dê uma experiência.
Um jantar harmonizado naquele restaurante que tu já conhece, e gostou. Três meses de uma confraria de vinhos. Uma visita a uma vinícola que marcou o teu ano. Um roteiro de enoturismo para alguém especial…

Experiências são presentes que não ocupam espaço, eles ocupam memória. E experienciar é nosso objetivo.

E se nada disso fizer sentido?
Bom, aí vai de clássico: um bom espumante brasileiro. Sem erro. Com 100% de aproveitamento.

Que neste Natal a gente consiga refletir, agradecer e se fazer presente. Mesmo quando o nosso gesto chega embrulhado como presente (:

__por Priscila D. Dal Lago

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Pega tua taça, e boa leitura (: